Adoráveis Entrevistas, Donos de Animais

“Retomamos o espírito que norteou a criação da SEPDA”

Último gestor à frente da Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (SEPDA) durante o governo Eduardo Paes, Vinícius Cordeiro (PT do B-RJ) está no comando da pasta há pouco mais de 3 meses. Em entrevista à Adorável Criatura, Cordeiro, que já havia sido subsecretário da SEPDA, afirmou ter buscado restabelecer na secretaria uma visão mais ampla do trabalho da administração municipal em prol dos animais.

O secretário também ressaltou a necessidade de alterações na legislação que visa coibir maus-tratos e expôs sua visão sobre as principais necessidades da SEPDA. Cordeiro comentou, ainda, a relação entre o poder público e os protetores de animais.

Em 2016, o orçamento executado da SEPDA foi de cerca de R$ 11 milhões. O montante extrapolou em R$ 1 milhão a previsão original. Esse acréscimo se deu pela compra dos carros elétricos que substituíram, em maio, as charretes que circulavam pela Ilha de Paquetá.

As opiniões dos nossos entrevistados não necessariamente refletem a posição da Adorável Criatura a respeito de qualquer tema. Nosso blog privilegia a pluralidade de ideias e o debate aberto a respeito de temas ligados aos animais.

Adorável Criatura: Quais o senhor considera as principais características e realizações da sua gestão à frente da SEPDA?

Vinícius Cordeiro: Você tem hoje na secretaria uma compreensão um pouco mais universal do que é proteção animal. Envolve, por exemplo, repressão, combate ao tráfico, aos maus-tratos. A gente faz inclusive com animal silvestre, que não é o escopo da secretaria, mas é animal. Mesmo que a gente mande depois para o Ibama.

Hoje a gente faz o programa Bicho Rio, que é o programa (de esterilizações) de maior porte do país e está batendo recordes. Estamos chegando a 45 mil esterilizações contra 35 mil em 2015 e cerca de 30 mil em 2013 e 2014.

Melhoramos as condições de abrigo (da Fazenda Modelo), de alimentação, limpeza, administração de pessoal, inauguramos, agora, o solário do canil. Mas o que impede de manter um abrigo de maior qualidade é a contínua judicialização que se faz na cidade do Rio de Janeiro. Toda hora envia animal para lá. E detalhe, não só animal para ser abrigado definitivamente, também tem aqueles que são abrigados provisoriamente. Eu tenho que arrumar lugar para 40, 50 gatos, que, daqui a um mês, estão de volta na casa da Dona Cotinha, que vai provar que trata bem do bichinho. E o bichinho vai ficar pior, às vezes, dentro do abrigo. Embora eu tenha feito intervenções, a coisa não está do jeito que a gente gostaria por conta dessa questão.

Obras de construção do solário do canil da Fazenda Modelo. Foto: Divulgação/SEPDA

Obras de construção do solário do canil da Fazenda Modelo. Foto: Divulgação/SEPDA

A gente resolveu investir bastante na questão do Programa de Proteção aos Animais Comunitários, com os abrigos, monitoramento e vacinação de colônias. Estamos iniciando uma série de ações relativas às colônias, reservando porcentagens da castração prioritária para as colônias de felinos, onde a proliferação é muito grande. Temos que direcionar o aparelho público para onde tem problema de controle.

Estamos procurando deixar esses programas, brigando com o próximo prefeito para que eles tenham continuidade e deixando amarrados os protocolos para que sigam sendo executados posteriormente.

AC: Em que direção é preciso avançar mais na proteção aos animais?

VC: Qual a solução mais moderna das grandes capitais europeias? O que tem de mais moderno na proteção animal? É você efetivamente não deixar os animais nos abrigos, é dar uma sobrevida para eles. Tentar ver se a cidade investe mais pesadamente em controle. Você vai fazendo mais controle populacional nas colônias e, com isso, diminui infestação de doença, esporotricose, cinomose…

Diminui as zoonoses e, ao mesmo tempo, faz controle, incentiva a adoção, porque ninguém vai adotar o gato não castrado, não vacinado. É uma série de consequências positivas, se você faz o monitoramento que deve ser feito.

É muito difícil, está começando isso, a cidade hoje tem uma mancha grande, uma demanda grande de atendimento em colônia. Mas a gente tem que começar. Então estou retomando, talvez, o espírito que norteou a criação da SEPDA, em 2000, de fazer proteção animal na integralidade. Ou seja, melhorar as condições de habitabilidade dos cavalos, fazer controle populacional, investir na campanha dos maus-tratos, campanha contra o abandono, que piorou muito com a crise econômica. E a gente está tentando revitalizar a questão da educação ambiental. A SEPDA ainda não dispõe da estrutura ideal para o atendimento dessa demanda.

Por último, fizemos a iniciativa legislativa. Nós enviamos para a Câmara duas mensagens do prefeito Eduardo Paes, elaboradas pela equipe da SEPDA. Propusemos a criação do Fundo de Proteção da Vida Animal (Funprovida) e mudanças na lei dos maus-tratos, que hoje é inócua. Se você agride um gatinho, R$ 2 mil, se você mata um mico-leão-dourado, R$ 2 mil.

cachorro com placa bacteriana e tártora, que pode evoluir para doença periodontal

É uma sanção administrativa ridícula. A gente está adequando essa legislação com a legislação federal, seja na ampliação da tipologia, seja na aplicação das multas. Responsabilizando, inclusive, pessoas jurídicas, e dando poder de polícia administrativa para a Secretaria. E estamos brigando pelo cumprimento da Lei dos Animais Comunitários, que também precisa ser aperfeiçoada. É um trabalho muito grande pela frente.

AC: Em relação à legislação que coíbe maus-tratos, o principal problema está nas próprias leis atuais ou na inaplicabilidade delas?

VC: Não, a legislação infelizmente é insuficiente para o atendimento das nossas demandas. O caso mais célebre é o caso dos maus-tratos. A sanção administrativa de apenas R$ 2 mil, seja em que tipologia, em que modalidade for, é insuficiente. Ela precisa de uma gradação, precisa de valores que se traduzam numa sanção que tolha.

Como é que eu posso punir adequadamente uma pessoa jurídica que cometa maus-tratos com um grupo de animais? Eu não tenho (como punir), não tem gradação, não tem valor suficiente, não tem punibilidade de pessoa jurídica. Então a gente precisa melhorar a legislação. Não é um problema de o executor querer, não ter vontade política de executar.

Imagem elaborada pela SEPDA adverte sobre a multa de dois mil reais para quem pratica maus-tratos contra animais. Imagem: Divulgação/SEPDA

Para Vinícius Cordeiro, sanção administrativa de R$ 2 mil é insuficiente para coibir maus-tratos a animais. Imagem: Divulgação/SEPDA

Outra coisa que é importante falar: o Rio é tambor do país. Quando a cidade do Rio adota uma legislação, ela espraia, é reproduzida, repercute em outras cidades, como cidades do interior. Toda hora a gente recebe uma visita de alguém querendo conhecer, adotar, aplicar os conceitos da legislação municipal do Rio de Janeiro.

Qual a legislação animal talvez considerada a mais completa, a mais avançada do país? Alguns dizem que é a de Pelotas, outros dizem que é a de Guarulhos ou a de Curitiba. Que repercussão tem? Repercussão mediana. Porque você, na verdade, jamais vai ter o impacto, que é o impacto político, como o de uma legislação adotada na cidade do Rio de Janeiro.

AC: Recentemente, o Dr. Reynaldo Velloso, presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ, disse, em entrevista à Adorável Criatura, que os protetores devem ter auxílio do governo porque, muitas vezes, fazem o que o poder público não faz. Qual a sua visão a respeito dessa relação do governo e da SEPDA com os protetores de animais?

VC: Vamos por partes. Nós iniciamos uma relação inédita, com um programa que ainda está embrionário. É o chamado programa Abrigo Amigo, que serve para dar apoio aos abrigos. Foi iniciado agora, com a crise da SUIPA. Por incrível que pareça, SUIPA, SEPDA e OAB, por exemplo, não trabalhavam em conjunto, o que era incompreensível, na minha cabeça de gestor. Sobre a relação com alguns abrigos, a gente já conseguiu traduzir esse apoio em iniciativas concretas.

Agora, a conversa com os protetores é muito multifacetada, muito diversa. Por quê? Porque os interesses são diversos. Há os protetores que atuam em ONGs e efetivamente estão no dia a dia do resgate, da castração, ou mesmo do abrigamento.

Há os protetores que atuam em colônias de animais comunitários. A esses a gente resolveu dar um tratamento diferenciado, no programa de animais comunitários, que determina que a gente cadastre e monitore ações deles. E eles têm prioridade no agendamento de castrações gratuitas.

Seminário sobre animais comunitários promovido pela SEPDA em parceria com a OAB e a ONG Oito Vidas, em 30/11. Foto: Divulgação/SEPDA

Seminário sobre animais comunitários promovido pela SEPDA em parceria com a OAB e a ONG Oito Vidas, em 30/11. Foto: Divulgação/SEPDA

Por último, há os protetores que são, tradicionalmente, desde aqueles que fazem mais que a castração, que, no meu entender, são protetores de verdade, têm uma ação mais ampla, que é de proteger os animais, até aqueles que só cuidam de castração, o que, para uma minoria, virou uma atividade lucrativa.

O número de protetores cadastrados na secretaria triplicou. E, com a crise econômica, muita gente começou a descobrir que aqui tem um serviço gratuito, que está cada vez mais caro (no mercado). E você criou uma corrida da classe média para o serviço gratuito.

Esse estrangulamento da demanda em relação à oferta criou alguns pontos de atrito com algumas ONGs da proteção. Isso fez com que a gente fizesse uma reengenharia nesse modelo de atendimento. Mas, de um modo geral, nossa relação com a proteção é boa, alguns canais inéditos foram construídos. Eu quero citar algumas organizações que têm atuado mais próximas da gente, como a SOZED, a Oito Vidas, a OAB, a SUIPA, a GARRA. Alguns abrigos tradicionais da cidade e outras organizações têm visto que não existe mais um fosso.

Eles têm sido parceiros da nossa gestão e, de fato, fazem, muitas vezes, o papel que o governo não consegue e não tem como fazer, porque nossos recursos são finitos, e a demanda é muito maior do que o tamanho da administração governamental.

AC: Sobre os cavalos que puxavam charretes na Ilha de Paquetá, estão todos no Santuário das Fadas? Como foi essa transição para os carros elétricos?

VC: Já estão todos no Santuário das Fadas, nas mãos da Patrícia Fittipaldi. Aliás, eu estive lá recentemente. Estamos agora monitorando esse novo desenvolvimento da Charretur. A Charretur, que é uma associação de charreteiros, está virando uma associação de condutores de carros elétricos. Isso está tendo um benéfico para o turismo da ilha.

Você tinha mais de 20 cavalos, que jogavam uma montanha de dejetos, fezes, de uma tonelada por semana. Obviamente que isso é um avanço na limpeza da ilha. Agora tem carro elétrico, que não polui, não faz barulho, não fica doente. O carro dá mais lucratividade hoje para o charreteiro do que o cavalo dava. Então, para eles está sendo uma alternativa lucrativa.

A gente fez um trabalho de convencimento, que não era só tirar a tração animal. Demos uma alternativa econômica para as famílias. Eles entenderam que a tração animal não era interessante para eles. Nós vamos fazer uma força aqui para que a tração animal seja proibida na nossa cidade. Mas você tem problemas. Por exemplo, diferentemente de Curitiba e cidades menores, que o pessoal compara muito, aqui tem milícia, tem tráfico.

Por exemplo, os cavalos da Xavier de Brito. Nós não podemos fazer a fiscalização porque é na Cachoeirinha. Vai lá o fiscal, para ver se o cavalo está comendo direitinho. Não dá, você não vai ser bem recebido com o lindo colete azul que nós temos. É uma cidade complexa. É uma cidade que tem tração animal na Zona Oeste, porque ainda tem zona rural lá, e tem muita tração animal irregular em pontos de milícia. Você tem dificuldade para o poder público atuar de uma forma mais firme nessas áreas.

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Sávio Neves: ideia é criar um aquário renovável

Sávio Neves é um dos três sócios que controlam o AquaRio, aquário marinho inaugurado no dia 9 de novembro, na capital fluminense. Em entrevista à Adorável Criatura, o empresário explicou resumidamente a concepção do projeto e a logística envolvida em sua execução.

Galeria: confira nossa seleção de fotos do AquaRio

Neves, que atualmente preside o conselho de administração do AquaRio, também rebateu críticas à criação do aquário e expôs as medidas tomadas para, segundo ele, garantir o bem-estar dos animais ali presentes. Confira:

As opiniões dos nossos entrevistados não necessariamente refletem a posição da Adorável Criatura a respeito de qualquer tema. Nosso blog privilegia a pluralidade de ideias e o debate aberto a respeito de temas ligados aos animais.

Adorável Criatura: Gostaria que o senhor explicasse a concepção do projeto do AquaRio. Qual foi a sua participação?

Sávio Neves: O Marcelo Szpilman (diretor técnico do AquaRio) é um biólogo marinho conceituado, tem muitos livros. Inclusive, ele é o maior especialista do Brasil em tubarões. Ele é professor da UFF, mergulhador. Sempre teve essa ligação com peixe. E ele identificou essa ideia de que as pessoas só vão gostar dos tubarões, dos animais marinhos, à medida que elas têm contato e conhecem as criaturas.

Então foi essa a ideia dele: para preservar, precisa ter o aquário marinho. Ele sonhou com isso, só que não conseguia viabilizar o investimento, que é de 150 milhões de reais. Ele é meu amigo, me conheceu na Associação Comercial do Rio. Então eu chamei dois sócios, e os dois toparam.

Investimento no AquaRio foi de cerca de 150 milhões de reais. Foto: Yuri Hutflesz

Investimento no AquaRio foi de cerca de 150 milhões de reais. Foto: Yuri Hutflesz

Criamos a empresa AquaRio SA e contratamos o Marcelo como nosso diretor técnico. Ele ganhou o apelido de diretor-presidente, mas na verdade ele é o interlocutor, ele que verbaliza a nossa intenção ali dentro do AquaRio. E existe também um diretor administrativo.

AC: Quais são os aspectos logísticos envolvidos na captura dos animais?

SN: Os peixes que estão no aquário são, em sua maioria, daqui da Baía de Guanabara. Nós estamos mostrando no tanque oceânico o que seria a Baía de Guanabara se a gente tivesse cuidado dela. Não estamos pegando peixe lá em Recife ou no Rio Grande do Norte. A gente pega aqui direto, só que a 50km da costa.

Na maioria das vezes, são pescadores daqui do Iate Clube. Eles voltam para o clube e lá os peixes são acondicionados em caixas próprias para transporte de animais e levados para dentro do AquaRio. Aí ficam numa quarentena, são tratados para doenças, para não contaminarem os outros que já estão lá. Depois de quarenta dias, eles são introduzidos no tanque oceânico.

AC: Como foi a captação da água para o AquaRio?

SN: A captação da água encareceu demais o nosso negócio. Normalmente, o que a gente poderia fazer: temos uma mangueira, que fica na beira do cais, na baía de Guanabara. Era só buscar água ali com bomba e jogar para dentro do tanque. Como a água é poluída, cheia de metais pesados, químicos, tóxicos etc., tivemos que pegar água lá embaixo, com balsa. A mesma balsa que busca petróleo, só que adaptada para água, com capacidade para 500 mil litros. Ela enche lá, traz até o porto, acopla na nossa mangueira e joga para dentro do tanque. Essa água ainda é tratada mais uma vez, apesar de já ser limpa e, aí sim, é usada para os animais.

Água coletada na Baía de Guanabara passar por um tratamento antes de usada para encher tanques do AquaRio. Foto: Yuri Hutflesz

Água coletada na Baía de Guanabara passar por um tratamento antes de usada para encher tanques do AquaRio. Foto: Yuri Hutflesz

AC: Como conciliar a rentabilidade do negócio e o bem-estar dos animais?

SN: Nós pegamos as experiências vitoriosas no mundo todo. Procuramos nos cercar dos melhores profissionais. Contratamos consultores em Portugal, porque em Lisboa tem um aquário importante, que se chama Oceanário. Tem o de São Paulo, o de Atlanta. Nós pegamos os melhores especialistas do mundo inteiro.

Fizemos esse investimento exatamente para poder compatibilizar o bem-estar, a questão do tratamento dos animais, com o negócio, que é também um equipamento turístico. Você tem ali um equipamento de pesquisa, de preservação, mas, nesse tripé, também tem um negócio.

AC: Que atividades de preservação e pesquisa se inserem nesse tripé?

SN: Existem convênios com a UFF e a UFRJ, em que universitários vão conviver diariamente ali dentro, tendo aquilo ali como laboratório de pesquisa, como uma sala de aula externa. E na questão da preservação, como acontece em muitos aquários e zoológicos do mundo, você vai ter as espécies que estarão vivendo naqueles ambientes como um banco genético para as futuras gerações.

De acordo com Sávio Neves, AquaRio funciona como um banco genético para as espécies ali presentes. Foto: Yuri Hutflesz

De acordo com Sávio Neves, AquaRio funciona como um banco genético para as espécies ali presentes. Foto: Yuri Hutflesz

Isso aconteceu, por exemplo, com o mico-leão-dourado. Ele é uma espécie aqui da Mata Atlântica e foi reduzido a 100 elementos. Então, tivemos que importar, quer dizer, foi dado pelo zoológico de Berlim. Vieram dois casais, e hoje já são mais de 5 mil em Silva Jardim, aqui ao lado, por causa desses dois casais que vieram da Alemanha.

Então, ao contrário do que as pessoas falam, que zoológico é um estorvo, é uma prisão, e que você está indo na contramão da modernidade, você tem ali um banco genético que preserva a espécie.

AC: Haverá pesquisas para melhorar a reprodução em cativeiro dos animais do AquaRio?

SN: Isso é uma inovação do Szpilman. Os ovos dos peixes que são jogados na água, nos aquários do mundo inteiro, são expurgados, vão embora pelo ralo. O Szpilman está desenvolvendo uma técnica para pegar esses ovos e desenvolver em outros ambientes, onde não tem o predador.

Depois que aquilo eclode, vêm os alevinos e tudo mais, ele vai criar, vai engordar, vai crescer e aí vai ser reintroduzido já numa fase adulta dentro do tanque oceânico. Isso é uma inovação, vai ser o primeiro (aquário marinho) do mundo que vai fazer esse tipo de preservação das espécies.

AC: A ideia é criar um aquário renovável?

SN: Exatamente, ele próprio se renova. Aí não vai mais precisar buscar peixe na natureza. Agora, tem esse argumento das pessoas que falam: “Ah, você tirou um peixe do ambiente e prendeu”. Essa tese é absurda, porque os peixes que estão lá são os peixes que todos os dias os pescadores que estão nos fornecendo pescam e matam, para virar alimento dos cariocas. Não tem nada diferente disso. Não estamos tirando nenhum peixe diferente do que todo dia vira alimento do carioca.

AC: Como será a interação com escolas?

SN: A visitação será gratuita para escolas públicas porque é exatamente esse o objetivo, criar novas gerações com o conhecimento dessa ciência. Podem ser captadas, involuntariamente, pela paixão por Biologia, Oceanografia, Veterinária. Pela primeira vez no Brasil, vai ter um aquário onde as pessoas vão poder conviver com aquele universo desconhecido.

AC: As pessoas poderão dormir no AquaRio?

SN: As pessoas às vezes estão confundindo isso. Não são as pessoas (em geral) que vão dormir, são justamente os passeios escolares, que serão acompanhados por monitores. Não é adulto. Não pode, não tem nem estrutura para isso.

Do túnel que atravessa o tanque oceânico do AquaRio, estudantes poderão acompanhar a alimentação dos tubarões. Foto: Yuri Hutflesz

Do túnel que atravessa o tanque oceânico do AquaRio, estudantes poderão acompanhar a alimentação dos tubarões. Foto: Yuri Hutflesz

São passeios escolares acompanhados de monitores de Biologia e Oceanografia. As pessoas vão passar a noite lá para acompanhar a alimentação de animais que têm hábitos noturnos, como é o caso do tubarão. Eles vão se alimentar, e quem estiver dentro do túnel vai assistir. Mas é para crianças e estudantes, para escola. É uma atividade educacional, não de hospedagem.

AC: Como ocorrerão os mergulhos no AquaRio?

SN: Os mergulhos vão começar em 2017. Quem já tem iniciação vai poder mergulhar com os tubarões, tartarugas etc. Vai ser aberto para qualquer pessoa que preencha determinados pré-requisitos, porque são mergulhos com garrafa, com tudo. Não é qualquer pessoa, não é no AquaRio que vai aprender a mergulhar. Nós vamos ter convênios com cursos, que vão treinar as pessoas fora desse ambiente. No AquaRio é só para o cara mergulhar e ficar ali, e em determinados horários.

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